Amanha - número - 1 - número

Que gozo! Que cheiro formoso este, belas papoilas e rosas. Já vivi em muitos locais, já senti muito cheiro, desde os Alpes às florestas lá no fim do mundo, mas nunca este cheiro, aromas de carinho, de nervosismo. Sabias que as nossas emoções se transmitem nas mais breves ações? Este é um dos dias em que tudo parece perfeito, as cores não são as mesmas de ontem, o café é mais doce, as pessoas sorriem cheias de brisa do mar. Nestes dias, nada nos abala, nada nos transtorna, talvez o dia seja igual aos outros todos, talvez seja apenas a perceção que temos, a forma como a nossa mente reage. Encontrei nelas o El Dourado que os xamãs procuram pelas suas ervas e meditações. Eu não sou xamã e estas são apenas papoilas e rosas, conseguiremos nós provocar este estado constante? Mantenho essa esperança, até porque é nestes dias que me transformo, recrio-me nas mais variadas cores. É nestes breves instantes que penso ser herói, cavalo bravo sobre as planícies eternas da minha própria ternura, levando-te comigo, sim, é assim que me sinto. Voltei a pintar hoje, sabes, do nada, sim meu amigo, do nada surgiram aquelas estranhas pinturas pelas quais me perguntas-te. Sei que já passaram séculos desde que me pediste esta prenda, sei que já sorri e acenei, dizia que sim, e nada. Talvez fosse desta, pensei eu, que te ia presentear com esta parte de mim, mas não... Tal como vieste, foste, para o abismo onde não ouso entrar, então, pinceladas negras ocuparam a minha última hora, e ofereci o negro retrato à Mãe, aquela que cria as mais belas flores do mundo... Boa pergunta. Talvez ela faça a obra de arte que eu não consegui, não é ela a mais perfeita artista de sempre?

Edgar Sacadura
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Amanha - número - 1 - número Amanha - número - 1 - número Reviewed by Edgar Sacadura on segunda-feira, dezembro 16, 2013 Rating: 5

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