CANIBALISMO DIVINO

É este o poder da minha alma
Astral absolutismo régio
Que ao trono desce a fala
De Deus, a minha mais alta
Deus, sou eu em ribalta


Repugnam-me os nojosos
Aqueles que choram por pão!
Corto o bico aos tordos
Por sujarem meu real chão!
Sou eu, em pura emoção

Ajoelha-te a meus pés
Ou vou-te chicotear!
A tua fé de nada serve
Catraio, chega de chorar!
Sou eu, estou a ordenar

Submete-se o medo na rua
Calem a murmurante fala!
São as mais suplicantes bocas
Que pedem o caos e o que falta
Sou eu, o som de uma flauta

Douradas portas rebentam!
Invadem o meu forte?
Fui pra balança de mercado
Amordaçado já não sou forte
Sou eu, julgado á sorte

Debruçado sobre o nada
Estou eu já imundo
Observo a minha maldade
Mais um tirano do mundo
Sou eu, lá bem no fundo

Entre choros e meus fados
Soluço e me entrego
Ao selvagem mar danado
Aprender largar o ego
Sou eu, sou como cego!

Foi numa tribo lá no nada
A pensar na existência
Que me livrei do mau karma
Do pecado em dormência
Fui eu, manjar de excelência.

Edgar S.

Visitem a minha página no facebook Poemas e poetas da rua
www.facebook.com/poemasepoetasdarua




CANIBALISMO DIVINO CANIBALISMO DIVINO Reviewed by Edgar Sacadura on terça-feira, dezembro 03, 2013 Rating: 5

Sem comentários:

Com tecnologia do Blogger.